29 de set de 2011

Agradecimentos

" Viver é morrer todo dia. O que eu era antes já não sou agora, mas sou o que ainda não fui.'' ( LIvro Tempo de Esperas . Pe Fábio de Melo.


Como a minha vida está entre escola e Setor de Oncologia, enquanto minha mãe está fazendo quimio... fico lendo ou corrigindo provas. Estou terminando de ler o livro Tempo de Esperas do Padre Fábio de Melo.
Quero mesmo que tardiamente agradecer os amigos e amigas pelas belas palavras deixadas no post anterior. Deixo com vocês a crônica escrita pelo Rubens da Cunha e a Mary Bastian dando sua opinião sobre o Setor de Oncologia.(fonte jornal A Notícia)


" Quero somente perder a ilusão da posse. Nada é meu. Sou apenas administrador do espaço em que me situo. Administro o sopro que está em mim, mas sei que a qualquer momento este sopro pode ser finalizado.
Mas enquanto o sopro não termina, vou vivendo feliz. Há tantas harmonias que merecem ser contempladas! Falta tempo para tanta beleza.'' Pe Fábio de Melo



A INSISTÊNCIA NA ESPERANÇA

George Bataille tem uma frase aterradora: “a única verdade do homem é de ser uma súplica sem resposta”. Alguns poderão argumentar que a fé seria uma resposta, outros contra-argumentarão que a fé também não passa de uma súplica, apenas mascarada de resposta. Enfim, o fato é que essa questão levantada por Bataille e por tantos outros pensadores, de maneira consciente ou inconsciente, vem à tona quando nos deparamos com uma doença grave. O câncer talvez seja a mais comum dessas doenças. Atinge milhares, sem muita distinção de classe, sexo, cor, essas idiotices que nos separam. Receber a notícia de um câncer é, necessariamente, um enfrentamento com a possibilidade da morte.

Roteiristas de cinema e TV têm explorado justamente esse momento: o combate, o enfrentamento. No filme francês “O Tempo que Resta”, um jovem fotógrafo descobre-se com câncer, sua reação é negativa, de afastamento, de isolamento completo. No processo de se aceitar com a doença, nega tudo o que lhe era importante. Por outro lado, no filme italiano “Guardami”, que, numa tradução literal, significa “olha-me”, temos a curiosa história de uma jovem atriz pornográfica que descobre a doença e passa a ter um novo olhar sobre a vida. Na TV norte-americana, uma das séries de maior sucesso é “Breaking Bad”, em que um pacato professor de química, ao saber que tem um câncer no pulmão, resolve virar traficante para conseguir, rapidamente, deixar a família bem. O fato é que o câncer grave se torna remissivo, porém, à medida que a cura chega, a humanidade do personagem se esvanece. Assim são inúmeros os exemplos tanto da ficção quanto da vida dita real, de ações e reações negativas ou positivas a partir do diagnóstico.

Porém, tanto os personagem quanto os pacientes reais têm de lidar com um fato: o tratamento. Por isso, se faz cada vez mais necessária a completa humanização das áreas de oncologia dos hospitais. É preciso um cuidado não apenas com o paciente, mas com quem o acompanha. É sabido que alguns hospitais já pensam essa área de maneira distinta, privilegiando o conforto, o cuidado, a naturalização do ambiente, ou seja, pensando que aquele lugar seja mais uma saída para a vida do que para a morte. No entanto, como é comum na saúde pública brasileira, muitos exemplos negativos transbordam: corredores frios, filas de espera desconfortáveis, ausência de uma vitalização da área de oncologia, seja por pequenos cuidados como uma pintura divertida, flores, uma música ambiente adequada. O velho e bom toque de carinho que faz toda a diferença para quem está numa situação complicada. É certo que essas mudanças têm de partir de algo raro no Brasil que é a consciência dos administradores públicos. Mas é preciso sempre insistir na esperança, definitivamente, algo que lota qualquer setor de oncologia do mundo, seja ele bem cuidado ou não.

RUBENS DA CUNHA



11 de set de 2011

"Vivi de tal forma, que sinto não ter nascido em vão." Cícero, orador romano.







Amar o próximo como a si mesmo, amar a si mesmo é base para amar o outro. Penso que cada um de nós tem o poder de transformar o ambiente em que vive, trabalha ou em que faz quimioterapia.
Como estou levando a minha mãe para médico oncologista, nutricionista, psicólogo e uma vez por semana para fazer quimio. Sugeri para meus alunos a ideia de algumas cartinhas para os pacientes com mensagens de esperança e otimismo .Apesar de saber que o sofrimento faz parte da travessia podemos amenizar e alegrar o nosso próximo ou como relata Gabriel Chalita: Somos feitos de : Pó e amor! O Pó nos iguala. O amor nos une."
o jornal A NOtícia fez bela reportagem. Obrigada meus alunos queridos, ao jornal e a minha amada mãe que a cada dia valoriza a vida.



O Homem; As Viagens
Carlos Drummond de Andrade

O homem, bicho da terra tão pequeno
Chateia-se na terra
Lugar de muita miséria e pouca diversão,
Faz um foguete, uma cápsula, um módulo
Toca para a lua
Desce cauteloso na lua
Pisa na lua
Planta bandeirola na lua
Experimenta a lua
Coloniza a lua
Civiliza a lua
Humaniza a lua.

Lua humanizada: tão igual à terra.
O homem chateia-se na lua.
Vamos para marte - ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em marte
Pisa em marte
Experimenta
Coloniza
Civiliza
Humaniza marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro - diz o engenho
Sofisticado e dócil.
Vamos a vênus.
O homem põe o pé em vênus,
Vê o visto - é isto?
Idem
Idem
Idem.

O homem funde a cuca se não for a júpiter
Proclamar justiça junto com injustiça
Repetir a fossa
Repetir o inquieto
Repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira terra-a-terra.
O homem chega ao sol ou dá uma volta
Só para tever?
Não-vê que ele inventa
Roupa insiderável de viver no sol.
Põe o pé e:
Mas que chato é o sol, falso touro
Espanhol domado.

Restam outros sistemas fora
Do solar a col-
Onizar.
Ao acabarem todos
Só resta ao homem
(estará equipado?)
A dificílima dangerosíssima viagem
De si a si mesmo:
Pôr o pé no chão
Do seu coração
Experimentar
Colonizar
Civilizar
Humanizar
O homem
Descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
A perene, insuspeitada alegria
De con-viver.

6 de set de 2011

Momento afetivo




Entro na sala para dar aula e ... entre uma explicação e o exercício - recebo carinhos de meus alunos.São gestos concretos.Resolvi postar, pois minha querida aluna Maria Juliane foi transferida, fiquei chateada ( aluna excelente e muito educada).Um dia antes de viajar trouxe-me um presente e um cartão. Retribui com um livro( Pequeno Príncipe- Antonie Saint- Exupéry).
O amor nos une e aprendemos a compartilhar emoções.
Para vocês meus alunos dos 6 ºanos e 7º anos da E.M CAIC Mariano Costa , Muito Obrigada pelo carinho e mimos.

4 de set de 2011

É complicado!!!


Recebi e reparto com você um pouquinho do nosso amado escritor Luiz Fernando Veríssimo.

MUDANÇAS

E tudo mudou...
O rouge virou blush
O pó-de-arroz virou pó-compacto
O brilho virou gloss
O rímel virou máscara incolor
A Lycra virou stretch
Anabela virou plataforma
O corpete virou porta-seios
Que virou sutiã
Que virou lib, Que virou silicone

A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento
A escova virou chapinha
'Problemas de moça' viraram TPM
Confete virou MM

A crise de nervos virou estresse
A chita virou viscose.
A purpurina virou gliter
A brilhantina virou musse
Os halteres viraram bomba
A ergométrica virou spinning
A tanga virou fio dental
E o fio dental virou anti-séptico bucal

Ninguém mais vê...
Ping-Pong virou Babaloo
O a-la-carte virou self-service

A tristeza, depressão
O espaguete virou Miojo pronto
A paquera virou pegação
A gafieira virou dança de salão

O que era praça virou shopping
A areia virou ringue
A caneta virou teclado
O long play virou CD

A fita de vídeo é DVD
O CD já é MP3
É um filho onde éramos seis
O álbum de fotos agora é mostrado por email

O namoro agora é virtual
A cantada virou torpedo
E do 'não' não se tem medo
O break virou street
O samba, pagode
O carnaval de rua virou Sapucaí
O folclore brasileiro, halloween
O piano agora é teclado, também

O forró de sanfona ficou eletrônico
Fortificante não é mais Biotônico
Bicicleta virou Bis

Polícia e ladrão virou Counter Strike

Folhetins são novelas de TV
Fauna e flora a desaparecer
Lobato virou Paulo Coelho
Caetano virou um chato

Chico sumiu da FM e TV

Baby se converteu
RPM desapareceu
Elis ressuscitou em Maria Rita ?
Gal virou fênix
Raul e Renato,
Cássia e Cazuza,
Lennon e Elvis,
Todos anjos
Agora só tocam lira...
A AIDS virou gripe
A bala antes encontrada agora é perdida
A violência esta coisa maldita!

A maconha é calmante

O professor é agora o facilitador
As lições já não importam mais
A guerra superou a paz
E a sociedade ficou incapaz...
... De tudo.

Inclusive de notar essas diferenças.

(Luiz Fernando Veríssimo)