28 de jan de 2016

Nem Romeu e Nem Julieta. Parte 2

A leitura , interpretação e comentários foram ocorrendo no decorrer  das aulas. As perguntas  eram sempre buscadas em cada capitulo lido do romance.
    chegamos no capítulo em que  Elleus  é preso. Aproveitei para fazer algumas perguntas: Detento faz poesia?  Que Tema ele usaria? Onde busca inspiração e outras mais. responderam e ilustraram como seria o espaço que eles escreveriam. Lemos  o artigo do jornal Perfil dos detentos do Juiz João Marcos Buch- feito o debate... sugeri que fizessem algumas perguntas para o  juiz.  Em equipe o trabalho foi feito  sendo enviando para o juiz via e-mail.
  Foram pesquisar em sala de sala : Quem é João Marcos Buch e suas ações em nossa cidade, anotaram no caderno .Entreguei para eles uma poesia, li e pedi comentários  escritos. Lancei algumas perguntas sobre o eu- poético ,  que sentiram ao ler o poema?   Que mensagem deixariam para o poeta?  faça em equipe uma poesia para mostrar para o poeta  que na vida há generosidade, bondade e muito amor.
     Montaram um trabalho com capa e todos os passos pedidos. Terminei contando para eles que a poesia era de um detento.  Ele recitou na Feira do Livro - pedi a poesia e guardei para trabalhar em sala .Ficaram surpresos e deixaram algumas mensagens para o detento. Veja as Fotos













1. Você sempre sonhou em ser juiz?
R. Desde o colégio, decidi cursar a faculdade de direito. Apenas um ano depois de ingressar na faculdade, já com 17 anos de idade, então comecei a sonhar e a me preparar com estudos para ser juiz. Ser juiz é trabalhar pelo cumprimento da Constituição e das leis e buscar a Justiça.

2. O que você pensa sobre a diminuição maioridade penal?

R. Sou radicalmente contra. É preciso aplicar o Estatuto da Criança e do Adolescente, que já prevê a responsabilidade do adolescente que comete atos infracionais. Se a violência aumentou é por falta de escola e não por falta de presídio. Lugar de criança e adolescente é na escola e não na prisão.

3. Já pensou em seguir outra profissão?
R. Não, pois sou muito satisfeito em ser juiz.

4. O que o senhor acha que deveria ser feito para melhorar o sistema penitenciário?

R. O Governo precisa melhorar o recurso humano, com agentes penitenciários mais valorizados e construir melhores condições de vida das pessoas lá dentro. Além disso, é preciso prender menos, buscando métodos alternativos de responsabilização, deixando o presídio apenas para os casos mais graves, para as pessoas que colocam em risco a vida de outras pessoas.

5. O que o senhor fez sendo juiz que mais teve orgulho?(Vinicius) 9 ano C
R. Todo trabalho, não só de juiz, é razão para se orgulhar. Como juiz, tenho orgulho de  ser instrumento de justiça para pessoas que buscam seus direitos. Então, todos os dias eu sinto muito orgulho em poder trabalhar por elas e pelos direitos delas.

6- Em sua opinião o que leva um jovem a entrar no mundo do crime?
R. A falta de uma família estruturada e que forneça afeto, amor e limites aos seus filhos e a ausência de políticas públicas de valorização da escola e do professor.

7- O senhor é a favor da pena de morte no Brasil? E a maioridade penal?

R. Sou contra a pena de morte, pois o Estado não pode se igualar a uma pessoa que comete um crime. Além disso, a Constituição não permite a pena de morte, salvo em tempos de guerra. Então, nenhuma lei pode tratar disso. Sobre a maioridade penal, vide acima resposta à pergunta n.2.

8- O que você faria para melhorar a estrutura do sistema prisional?
R. Vide acima resposta à pergunta n.4.

9- O que levou você a essa profissão?
R. Sempre me senti incomodado com injustiças. Então, busquei estudar as leis para poder lutar pelo direito das pessoas. Na faculdade, vi que como juiz poderia cumprir a Constituição.

10- Senhor juiz, qual é o motivo de sua cicatriz? Amanda 9 anos D
R. Não tenho problemas e tratar de assunto particular. Porém, gostaria de contar essa história pessoalmente.

11- O que fez o senhor querer ser juiz? Por quê?
R. Vide respostas às perguntas n.1 e n.9.

12- Como o senhor lida com esses detentos?
R. Com respeito, como se deve lidar com qualquer pessoa.

13- Senhor tem interesse de fazer outras faculdades?
R. Por enquanto não. Continuo estudando todos os dias e em contato com outras áreas da ciência.

14- É difícil ser juiz?
R. Sim, porque exige muito trabalho e muita responsabilidade. Mas é gratificante.

15- Como o senhor consegue resolver ou ter paciência para certos casos? Letícia (9C)
R. Sempre pensando que todas as pessoas devem ser respeitadas. Para o juiz pode parecer só mais um caso, mas para a pessoa o caso dela é único.

16- O senhor prende mais por quê?
R. As prisões são mais frequentes por tráfico de drogas e roubos. E o juiz não prende, o juiz julga e manda, conforme a lei, prender ou soltar a pessoa.

17-Tanto tempo de trabalho, sobra tempo para família?
R. Sobra sim, porque tudo é uma questão de planejar o seu tempo.

18-Como foi sua vida antes de ser juiz?
R. Foi uma vida normal, com a família, irmãos, com os amigos com quem ia acampar, com quem saia para jogar futebol e também para estudar.

19-Você tem filhos?
R. Ainda não.

20-Você já cometeu algum erro? (Maria Eduarda) 9C
R. Todos os seres humanos cometem erros. Eu já cometi e já tive que pedir desculpas muitas vezes. Como juiz também acontece erros, mas para isso existem advogados que recorrem e a decisão do juiz é submetida a juízes mais velhos (desembargadores) que dizem se está certa ou errada.

21-Onde você nasceu?
R. Porto União/SC.

22. Há quanto tempo esta em Joinville?
R. 14 anos.

23-Quando se interessou em ser juiz?
R. Vide respostas às perguntas n.1 e n.9.

24-Qual foi seu caso mais complicado?
R. Muitos foram os casos complicados. Juridicamente, talvez tenha sido um caso em que um casal se acidentou na rodovia e acabou morrendo, deixando dois filhos pequenos. O acidente aconteceu porque o pneu do carro estava com erro de fabricação, por responsabilidade da empresa que o produziu. Então condenei a empresa a danos morais em favor dos filhos. Mas esse é apenas um caso de que me lembro agora. Diariamente, casos difíceis aparecem para julgar.

25-O que acha da diminuição da maioridade penal?(Emerson 9C)
R. Vide resposta à pergunta n.2.

26-O que motivou o senhor a ser juiz?
R. Vide respostas às perguntas n.1 e n.9.

27. Quanto tempo o senhor exerce este cargo?
R. 21 anos.

28) O senhor sempre quis ser juiz ou queria ter outra profissão? Se sim, qual?
R. Vide respostas às perguntas n.1 e n.9.

29) O senhor acha que o sistema prisional brasileiro tem estrutura para suportar cerca de 1 milhão de indivíduos em 2020?
R. Não tem e jamais terá. Por isso é preciso pensar em métodos alternativos à prisão para responsabilizar uma pessoa.

30) O que o senhor sentiu ao encerrar seu 1°Caso como juiz? (Beatriz)
R. Muito orgulho e satisfação.

3 1- O Meritíssimo tem outra profissão?
R. Não tenho outra profissão. A única profissão que o juiz pode ter além da judicatura é ser professor. Já fui professor da faculdade de direito, mas hoje em dia não leciono mais. Além de juiz, minha principal função, hoje apenas faço palestras e escrevo textos e livros.

32- O Meritíssimo concorda com a Maioridade Penal?
R. Não. Vide resposta à pergunta n.2.



33- O Meritíssimo já escreveu um livro? Pretende escrever outro?
R. Sim, já escrevi dois livros técnicos, da área das leis e direitos, um romance e mais um de crônicas. Tem outro que estou escrevendo, mas vai demorar, pois uso o tempo das férias para isso.

34- Como o Meritíssimo se tornou juiz?
R. É preciso estudar muito. Fazer a faculdade de direito e depois se inscrever no concurso para a magistratura. As provas do concurso são muito difíceis, mas se tiver determinação e estudar, um dia passa.

35- Meritíssimo, narre um pouco mais sobre suas viagens. (Eric 9C)
R. Eu gosto muito de viajar para conhecer as pessoas, a forma como vivem, sua cultura. Então, sempre que posso viajo. Já fui para a França, Espanha, Alemanha, Itália, Noruega, Inglaterra, Portugal, Estados Unidos, Argentina, Cuba, Peru, Republica Tcheka, Bélgica, Holanda. Além disso, dentro do Brasil sempre procuro viajar também. Todas as viagens são uma forma de aprendizado, pois você deixa sua casa e vai conhecer outras casas, vendo que o mundo tem bastante coisa bonita para conhecer.

36- Meritíssimo, o senhor apóia a pena de morte?
R. Vide resposta à pergunta n.7.

37- Já julgou algum caso que o deixou muito sentimental?
R. Todos os casos são julgados com sentimento, pois se não seria melhor deixar para os computadores. Porém, o juiz não pode se deixar afetar na sua saúde com um caso que julga. Ou seja, quando eu estou julgado, eu aplico a lei e o meu sentimento. Mas depois, eu preciso descansar e, portanto me desligo do caso.

38- O que o senhor diz aos jovens que amam observar o exercício do Direito, mas têm medo de se aventurar por estas veredas?
R. O amor ao direito é suficiente para vencer os medos. É normal ter medos, mas precisamos ser corajosos e os enfrentar.

39- O senhor é contra a diminuição da maioridade penal?
R. Vide resposta à pergunta n.2.

40. Levando em consideração que o país não tem estrutura para suportar o aumento de detentos a pena de morte é uma opção possível no futuro?
R. Não, absolutamente. O estado não pode matar ninguém. O estado deve acreditar nas pessoas e oferecer oportunidade para uma vida sem violência.