A leitura , interpretação e comentários foram ocorrendo no decorrer das aulas. As perguntas eram sempre buscadas em cada capitulo lido do romance.
chegamos no capítulo em que Elleus é preso. Aproveitei para fazer algumas perguntas: Detento faz poesia? Que Tema ele usaria? Onde busca inspiração e outras mais. responderam e ilustraram como seria o espaço que eles escreveriam. Lemos o artigo do jornal Perfil dos detentos do Juiz João Marcos Buch- feito o debate... sugeri que fizessem algumas perguntas para o juiz. Em equipe o trabalho foi feito sendo enviando para o juiz via e-mail.
Foram pesquisar em sala de sala : Quem é João Marcos Buch e suas ações em nossa cidade, anotaram no caderno .Entreguei para eles uma poesia, li e pedi comentários escritos. Lancei algumas perguntas sobre o eu- poético , que sentiram ao ler o poema? Que mensagem deixariam para o poeta? faça em equipe uma poesia para mostrar para o poeta que na vida há generosidade, bondade e muito amor.
Montaram um trabalho com capa e todos os passos pedidos. Terminei contando para eles que a poesia era de um detento. Ele recitou na Feira do Livro - pedi a poesia e guardei para trabalhar em sala .Ficaram surpresos e deixaram algumas mensagens para o detento. Veja as Fotos











1. Você sempre sonhou
em ser juiz?
R. Desde o colégio, decidi cursar a faculdade de
direito. Apenas um ano depois de ingressar na faculdade, já com 17 anos de
idade, então comecei a sonhar e a me preparar com estudos para ser juiz. Ser
juiz é trabalhar pelo cumprimento da Constituição e das leis e buscar a
Justiça.
2. O que você pensa sobre a diminuição
maioridade penal?
R. Sou radicalmente contra. É preciso aplicar o
Estatuto da Criança e do Adolescente, que já prevê a responsabilidade do
adolescente que comete atos infracionais. Se a violência aumentou é por falta
de escola e não por falta de presídio. Lugar de criança e adolescente é na
escola e não na prisão.
3. Já
pensou em seguir outra profissão?
R. Não, pois sou muito satisfeito em ser juiz.
4. O que o senhor acha que deveria ser feito
para melhorar o sistema penitenciário?
R. O Governo precisa melhorar o recurso humano,
com agentes penitenciários mais valorizados e construir melhores condições de
vida das pessoas lá dentro. Além disso, é preciso prender menos, buscando
métodos alternativos de responsabilização, deixando o presídio apenas para os
casos mais graves, para as pessoas que colocam em risco a vida de outras
pessoas.
5. O que o
senhor fez sendo juiz que mais teve orgulho?(Vinicius) 9 ano C
R. Todo trabalho, não só de juiz, é razão para
se orgulhar. Como juiz, tenho orgulho de ser instrumento de justiça para
pessoas que buscam seus direitos. Então, todos os dias eu sinto muito orgulho
em poder trabalhar por elas e pelos direitos delas.
6- Em sua
opinião o que leva um jovem a entrar no mundo do crime?
R. A falta de uma família estruturada e que
forneça afeto, amor e limites aos seus filhos e a ausência de políticas
públicas de valorização da escola e do professor.
7- O senhor é a favor da pena de morte no
Brasil? E a maioridade penal?
R. Sou contra a pena de morte, pois o Estado não
pode se igualar a uma pessoa que comete um crime. Além disso, a Constituição
não permite a pena de morte, salvo em tempos de guerra. Então, nenhuma lei pode
tratar disso. Sobre a maioridade penal, vide acima resposta à pergunta n.2.
8- O que
você faria para melhorar a estrutura do sistema prisional?
R. Vide acima resposta à pergunta n.4.
9- O que
levou você a essa profissão?
R. Sempre me senti incomodado com injustiças.
Então, busquei estudar as leis para poder lutar pelo direito das pessoas. Na
faculdade, vi que como juiz poderia cumprir a Constituição.
10- Senhor juiz, qual é
o motivo de sua cicatriz? Amanda 9 anos D
R. Não tenho problemas e tratar de assunto
particular. Porém, gostaria de contar essa história pessoalmente.
11- O que fez o senhor querer
ser juiz? Por quê?
R. Vide respostas às perguntas n.1 e n.9.
12- Como o
senhor lida com esses detentos?
R. Com respeito, como se deve lidar com qualquer
pessoa.
13-
Senhor tem interesse de fazer outras faculdades?
R. Por enquanto não. Continuo estudando todos os
dias e em contato com outras áreas da ciência.
14- É
difícil ser juiz?
R. Sim, porque exige muito trabalho e muita
responsabilidade. Mas é gratificante.
15- Como
o senhor consegue resolver ou ter paciência para certos casos? Letícia (9C)
R. Sempre pensando que todas as pessoas devem
ser respeitadas. Para o juiz pode parecer só mais um caso, mas para a pessoa o
caso dela é único.
16- O senhor prende
mais por quê?
R. As prisões são mais frequentes por tráfico de
drogas e roubos. E o juiz não prende, o juiz julga e manda, conforme a lei,
prender ou soltar a pessoa.
17-Tanto
tempo de trabalho, sobra tempo para família?
R. Sobra sim, porque tudo é uma questão de
planejar o seu tempo.
18-Como
foi sua vida antes de ser juiz?
R. Foi uma vida normal, com a família, irmãos,
com os amigos com quem ia acampar, com quem saia para jogar futebol e também
para estudar.
19-Você
tem filhos?
R. Ainda não.
20-Você
já cometeu algum erro? (Maria Eduarda) 9C
R. Todos os seres humanos cometem erros. Eu já
cometi e já tive que pedir desculpas muitas vezes. Como juiz também acontece
erros, mas para isso existem advogados que recorrem e a decisão do juiz é
submetida a juízes mais velhos (desembargadores) que dizem se está certa ou
errada.
21-Onde
você nasceu?
R. Porto União/SC.
22. Há quanto tempo
esta em Joinville?
R. 14 anos.
23-Quando
se interessou em ser juiz?
R. Vide respostas às perguntas n.1 e n.9.
24-Qual
foi seu caso mais complicado?
R. Muitos foram os casos complicados.
Juridicamente, talvez tenha sido um caso em que um casal se acidentou na
rodovia e acabou morrendo, deixando dois filhos pequenos. O acidente aconteceu
porque o pneu do carro estava com erro de fabricação, por responsabilidade da empresa
que o produziu. Então condenei a empresa a danos morais em favor dos filhos. Mas
esse é apenas um caso de que me lembro agora. Diariamente, casos difíceis
aparecem para julgar.
25-O que
acha da diminuição da maioridade penal?(Emerson 9C)
R. Vide resposta à pergunta n.2.
26-O que
motivou o senhor a ser juiz?
R. Vide respostas às perguntas n.1 e n.9.
27. Quanto tempo o
senhor exerce este cargo?
R. 21
anos.
28) O
senhor sempre quis ser juiz ou queria ter outra profissão? Se sim, qual?
R. Vide respostas às perguntas n.1 e n.9.
29) O
senhor acha que o sistema prisional brasileiro tem estrutura para suportar
cerca de 1 milhão de indivíduos em 2020?
R. Não tem e jamais terá. Por isso é preciso
pensar em métodos alternativos à prisão para responsabilizar uma pessoa.
30) O que
o senhor sentiu ao encerrar seu 1°Caso como juiz? (Beatriz)
R. Muito orgulho e satisfação.
3 1- O
Meritíssimo tem outra profissão?
R. Não tenho outra profissão. A única profissão
que o juiz pode ter além da judicatura é ser professor. Já fui professor da
faculdade de direito, mas hoje em dia não leciono mais. Além de juiz, minha
principal função, hoje apenas faço palestras e escrevo textos e livros.
32- O
Meritíssimo concorda com a Maioridade Penal?
R. Não. Vide resposta à pergunta n.2.
33- O Meritíssimo já
escreveu um livro? Pretende escrever outro?
R. Sim, já escrevi dois livros técnicos, da área
das leis e direitos, um romance e mais um de crônicas. Tem outro que estou
escrevendo, mas vai demorar, pois uso o tempo das férias para isso.
34- Como o Meritíssimo se
tornou juiz?
R. É preciso estudar muito. Fazer a faculdade de
direito e depois se inscrever no concurso para a magistratura. As provas do
concurso são muito difíceis, mas se tiver determinação e estudar, um dia passa.
35-
Meritíssimo, narre um pouco mais sobre suas viagens. (Eric 9C)
R. Eu gosto muito de viajar para conhecer as
pessoas, a forma como vivem, sua cultura. Então, sempre que posso viajo. Já fui
para a França, Espanha, Alemanha, Itália, Noruega, Inglaterra, Portugal,
Estados Unidos, Argentina, Cuba, Peru, Republica Tcheka, Bélgica, Holanda. Além
disso, dentro do Brasil sempre procuro viajar também. Todas as viagens são uma
forma de aprendizado, pois você deixa sua casa e vai conhecer outras casas,
vendo que o mundo tem bastante coisa bonita para conhecer.
36-
Meritíssimo, o senhor apóia a pena de morte?
R. Vide resposta à pergunta n.7.
37- Já
julgou algum caso que o deixou muito sentimental?
R. Todos os casos são julgados com sentimento,
pois se não seria melhor deixar para os computadores. Porém, o juiz não pode se
deixar afetar na sua saúde com um caso que julga. Ou seja, quando eu estou
julgado, eu aplico a lei e o meu sentimento. Mas depois, eu preciso descansar
e, portanto me desligo do caso.
38- O que
o senhor diz aos jovens que amam observar o exercício do Direito, mas têm medo
de se aventurar por estas veredas?
R. O amor ao direito é suficiente para vencer os
medos. É normal ter medos, mas precisamos ser corajosos e os enfrentar.
39- O
senhor é contra a diminuição da maioridade penal?
R. Vide resposta à pergunta n.2.
40.
Levando em consideração que o país não tem estrutura para suportar o aumento de
detentos a pena de morte é uma opção possível no futuro?
R. Não, absolutamente. O estado não pode matar
ninguém. O estado deve acreditar nas pessoas e oferecer oportunidade para uma
vida sem violência.