A linguagem é uma forma de criar laços, estreitar amizades e ampliar conhecimentos. Nos liberta e promove a cultura.
Foi através de um convite para conhecer o blog pretextoselrblogspot.com que delicie-me nas crônicas escritas pelo jornalista Eduardo Lara Resende , sempre que possível deixava comentário e assim trocamos figurinhas.
Penso, que a linguagem aproxima o distante e fiquei muiiiiiiiiiiiiito feliz quando recebi um recado que ele ,aproveitaria o tema : A vida para ser bela.... para postar algo que faz um tempo que ele estava querendo escrever: gratidão.
Meus queridos alunos e amigos , vamos ler e refletir a importância da verdadeira gratidão sem bajulação. Boa leitura
A galinha de ovos de ouro
Há dias recebi e-mail com texto sobre o elogio, no qual se abordava o esfriamento das relações interpessoais – notadamente no ambiente familiar – em razão também da falta de estímulos. Por uma série de razões, a generosidade de um elogio sadio, a quem precisa e merece reconhecimento, tem sido substituída pela indiferença e até por agressões.
Fosse mina d’água, a bajulação nacional, por outro lado, já teria liquidado com a seca do Nordeste. Basta ligar a TV ou folhear revistas, particularmente as de variedades, para que se dê conta da fartura de elogios, sobretudo nos ambientes da política, das artes e da própria mídia. Em nome da popularidade eleitoreira e da audiência, eleva-se ao último reduto da virtude. Ou rebaixa-se, sem misericórdia, à execração em pessoa. Gente normal, com acertos e erros, parece estar em extinção. Ou vai ficando invisível, com o tempo.
Na internet o elogio é vasto. A proverbial fogueira das vaidades arde sem se consumir, como a sarça diante de Moisés. Elogia-se a bobagem, o sexo, a instabilidade, a traição. Não escapam ao incenso a redundância, a transversalidade, a igualdade e a diferença. Sombra, ignorância, fracasso, amor e loucura também são ou foram alvos de elogios, literariamente ou não.
Caçadores e produtores de elogios se profissionalizam. Gente de respeito, competente. Repórter político em Brasília, conheci exemplos em ambas as categorias. Na dos caçadores, havia um sujeito que, não recebendo elogio do interlocutor nos primeiros dez minutos da conversa – na verdade, minuciosa exposição de seus feitos últimos e penúltimos – cobrava com sorriso a apreciação positiva. Permanecendo o estado de estupefação do ouvinte, ele tentava acordá-lo com tapinha no braço. E se nada surtisse efeito, desengasgava o desatento advertindo-o de que ‘elogio é bom, mesmo quando é falso’.
Dolorosa cultura do passado levou gerações a quase medir a freqüência ao uso do elogio pela passagem do cometa Halley: um no começo da vida – quando o elogiado não se dá conta do estímulo que recebeu – e outro no fim. De preferência, post-mortem, que é para não entorpecer o caráter. Já as críticas sobravam – ácidas, pesadas. Elogios, só aos 'outros', mas longe dos olhos e dos ouvidos dos elogiados. Atrás tantas vezes de falso zelo pela integridade moral de quem quer que fosse, escondiam-se as faces deformadas da inveja e do preconceito. O orgulho exacerbado – que se alegava evitar no elogiado – prevalecia no ressentido, levando-o a contorcer-se para não reconhecer o mérito do próximo.
Um empresário mineiro confessava perguntar-se tantas vezes por valores que terá perdido a Ciência, ou por líderes que terão deixado de servir à Nação honradamente porque, jovens, alguém lhes negou, além de oportunidades, o estímulo de um elogio verdadeiro e merecido. O afago de um reconhecimento. Não custa nada, não dói, não deixa capenga e nem mais pobre quem sabe reconhecer, sem exageros, os acertos do outro no momento adequado.
Enquanto escrevo, lembro-me de professora que, submetida recentemente a uma cirurgia, emocionou-se pela mensagem de agradecimento por seu trabalho, feita por uma aluna quando da passagem do Dia dos Professores. Sempre se poderá dizer que isto é comum em alunos interessados em boas notas. Acontece, mas não será a regra. Pelo contrário, o que vai se tornando freqüente é a agressão, a ofensa a quem dedica seu tempo a ensinar e pretende – ou pretendia – tirar daí a sobrevivência. Isto, para não chegarmos ao extremo da violência, cometida pelo estudante que mata o professor.
Convenhamos: um pouco só de humildade cairia bem. Afinal, mirrados pela inveja, não raro ficamos de olho na galinha do vizinho, mas passamos a faca no pescoço da nossa – exatamente a que bota ovos de ouro.
Para o Eduardo , alunos e amigos deixo vocês na doce companhia de Cora Coralina.
NÃO SEI...
Não sei... se a vida é curta...
Não sei... Não sei...
se a vida é curta
ou longa demais para nós.
Mas sei que nada do que vivemos
tem sentido,
se não tocarmos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe,
braço que envolve,
palavra que conforta,
silêncio que respeita,
alegria que contagia,
lágrima que corre,
olhar que sacia,
amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo:
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja nem curta,
nem longa demais,
mas que seja intensa,
verdadeira e pura...
enquanto durar.